segunda-feira, 14 de maio de 2012

DUMBARIBORÓ - Episódio II

Peralkaline nepheline syenit, responsável mais uma vez por um belíssimo patrimônio geológico…Nefelina sienito peralkalino…

Desculpem o palavrao acima, que utilizei para iniciar essa conversa, mas as intrusões alcalinas, como são carinhosamente chamadas no ramo geologico, tem proporcionado ao ser humano belissimas paisagens sobretudo nas margens continentais de Brasil e Africa. Poços de Caldas, Itatiaia, Ilha Bela são algumas belas feiçoes (na nossa margem) cujas topografias estão diretamente relacionadas à intrusões alcalinas (intrusão para um geólogo é quando um monte de lava quente ascende das profundezas da terra e vem formar as tais das rochas igneas aqui na crostinha desse nosso planeta errante). Curiosamente por volta de uma centena de milhões de anos antes do 2012, esses eventos pipocaram nas margens dos continents em separacão.

Hoje vou me ater à intrusao do Arquipélogo de Los, em frente a capital da Guiné, Conakry. (vá ao google earth e digite no local da busca 9 27.5138' N,13 47.3200' W

Africa Oeste, com Leste para cima
Conakry, sempre de passagem,  é  para mim, um grande mistério, pois é sobre uma variedade de geografias, das paisagens naturais, que a cidade foi constituída e sobre elas se assenta um emaranhado de povos, de gente, sons, mercados, becos e ruas. Como uma grande cidade africana, aquela visão que povoa nossos imaginários e que realmente existe, tem um trânsito caótico, algumas mesquitas, algumas construções históricas, restos de uma linha de trem, mercados coloridos, mas sobretudo a linha da pobreza transborda até os mais altos edifícios. E vem desde a linha do mar, que envolve toda a cidade que cresceu numa península, e que como a maré sobe todos os dias.

Moreau, C. et all 1996 THE LOS ARQUIPELAGO NEPHELINE SYENITE RING-STRUCTURE: A MAGMATIC MARKER OF THE EVOLUTION OF THE CENTRAL AND EQUATORIAL ATLANTIC

Essa peninsula  tem seu ponto derradeiro separado por uma pequena faixa de mar do belo arquipelogo de Los em seu formato circular.

Vista do extremo SW de Conakry à Ilha de Los

Daí se alinha a cidade em direção nordeste, nos km iniciais  ladeada de mar por ambos os  lados, já nos finais são planices de inundação e manguesais repletos de palmeiras que compõe seu entorno. Depois de 40 Km a cidade de Conakry morre em mais uma paisagem inusitada, são grandes serras de quartzitos, tão belas e sedutoras como as nossas chapadas, repletas de cachoeiras, palmeiras e grandes árvores centenárias.

Conakry lbordejada por mangue, ilhas e serras

Bom, aí está, essa é a Conakry, porta de entrada dessa jóia que é a Guiné, digo porta de entrada pois é no interior que estão as maiores riquezas e belezas da Guiné. A região sempre foi comercialmente muito importante, pois era o acesso do litoral ao Niger (que nasce em suas montanhas) sendo uma rota importantíssima de todo o comércio subsaariano, a ferrovia construída (e hoje abandonada) pelos franceses, Conakry-Kankan, representou a importância dessa rota para os mercantis colonizadores. A noz de Cola, base da mundialmente louvada Coca-Cola, nasce nessas paragens do mundo.

Sugiro algumas paisagens guineenses que certamente inspirarão …

  o “cerrado” africano

  dos primeiros afluentes do niger, serpenteando

 Petit Baoba em flor adornando a savanna

vilarejo na borda da floresta
Algumas paisagens para navegar no google earth:
Ilhazita no mar, no mar de mangue bordejado pela chapada.
No google earth  9 49.5912 N,13 46.4056 W
Se anseias por cachoeira, a lá nossas chapadas diamantinas, veadeiros e guimarães e parnaibas.
No google earth 11 02.3755 N,12 27.0423 W
Pra quem tiver mais tempo um video genioso 
Manuel, Guiné forestiere em noite de lua grande, Maio 2012
Manuel,  é Geológo, formado há 4 anos e pouco, desde então, vivendo 20 dias no mato, fazendo exploracão mineral, e 10 dias de folga, vendo o mundo. Viajando para botar números ao potencial econômico de algumas rochas.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O tempo filosófico.

Quando você viaja, já teve alguma vez a impressão de que o tempo passa mais devagar? Uma viagem de 10 dias às vezes parece ter o dobro do tempo. Já no dia-a-dia, no trabalho ou escola, o tempo parece que passa voando.

Talvez uma das explicações para isso, além da capacidade de interpretação de cada um, seja que ao viajarmos tudo é novidade. Ao contrário da rotina quando quase tudo é muito parecido ou repetitivo, nas viagens tudo é novo e chama a atenção – o jeito diferente das pessoas falarem e se comportarem, a forma e o cheiro da comida, o vento seco ou frio. E o novo se torna belo. As mensagens, por mais banais, vão sendo registradas na memória. Quando você retorna, a quantidade de informações e registros é tão grande, que tem-se a impressão que o tempo que passou foi muito maior do que realmente é ou foi.

Não há quem não se pegue, vez ou outra, tentando controlar ou entender o tempo: nos cálculos de física e matemática, nas receitas de culinária, na validade dos produtos, nas bulas dos remédios, nas aulas de filosofia e principalmente nas poesias apaixonadas, quem é capaz de decifrar o tempo?
Quem sabe, o tempo seja a maneira como você administra a vida.

Boa viagem.

Mauricio Simões – Engenheiro, publicitário e escritor do livro “Por que deveria haver algum motivo?”


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Episódio Zero – Água que corre, que salta, que pára, que desce, que gera, que mata, a sede...


Esse lindo post do blog, das fotos de nuvens, levou me voando diretamente para dentro da água liquida, essa que chove das nuvens, corre nos rios, nos brinda com seu baile nos mares, mata a nossa sede. De onde viemos e que sem ela dificilmente o ser humano poderá se adaptar.

Gosto muito , me encanto, com as soluções simples, duradouras e que resolvem. Caminhando pelas montanhas do oeste africano, na savana dos Baobás, mais precisamente em Kerouane na Guiné, numa das nascente do grande Níger, elo, via, pulso, vida da África subsaariana, encontrei uma belíssima cachoeira.




Cachoeira linda, queda vertical, que desce da Serra do Simandou, onde uma pequena represa na qual uma parte da água é canalizada, corre por tubos de aço. Alguns puristas de plantão logo pensarão, alguma engenhosidade maquiavélica roubando (desviando) agua para fins mercantis, em uma região tão carente, tão sedenta por água boa. Ledo engano, eis uma solução muito engenhosa, dada por técnicos alemães, ha mais de 30 anos. Essa água desce entubada por cerca de 1,5 km, movimenta uma turbina, uma pequena central hidroelétrica de 15 KVA , depois disso vai para tanques de decantação e filtros, após ser tratada a água é bombeada, por bombas elétricas, que utilizam a sua energia recém gerada e dessa forma, leva agua por mais de 8 km para a vila de Kerouane. Simples, engenhoso, sem gastar energia externa, ou uma gota de diesel, leva agua muito boa para milhares de almas, ha um bom tempo. Para mim é poesia, é inspiração, é o mito do moto-perpetuo ao alcance dos olhos.




Kerouane, do original Kairá ouanne (em malinkê, trono da boa sorte), é uma típica vila guineense, ruas de terra, casas redondas com teto de palha, animais e plantações por toda parte, ausência irrestrita de muros, muitas mangueiras, muita pobreza e simplicidade. Um lugar lindo com gente mais linda e colorida ainda, la foi o berço de Samory, o último imperador do Império do Mali, que lutou contra a dominação francesa. Uma vila bucólica e pobre, que não fosse uma solução engenhosa e simples, dificilmente teria acesso a uma boa agua.




Milhões de pessoas sofrem por falta de acesso à água potável e de qualidade, alguns especialista dizem que o mundo padecerá por falta dela. Enquanto em alguns lugares do mundo respeita-se, valoriza-se e utiliza-se sabiamente essa dadiva, na grande maioria das grandes e pequenas cidades do nosso mundão e do nosso brasilzão, continuamos poluindo, poluindo e poluindo, haja visto a tão desenvolvida e amada São Paulo. Sem falar em obras faraônicas de transposição de rios, que nada ou quase nada beneficiaram quem realmente está alijado da água.

Fica um link com belas fotos que com certeza inspirarão...



Manuel guinée forestière abril 2012



terça-feira, 10 de abril de 2012

DUMBARIBORÓ

SUBSTANTIVO EM MALINKE (África oeste subsaariana), bolsa, compartimento, onde repousam os feitiços do chasseur, o feiticeiro; figura que se mescla, sincretiza-se ao islamismo atual. O meu saco sagrado, DUMBARIBORÓ, é de couro, traz ferramentas (caneta, lápis, imã, lapiseira, lápis de cor, bussola e borracha, não que eu utilize essa ultimo, apenas rabisco por cima) e uma caderneta. Sempre atrelado ao cinto, acompanha meu caminhar por esse mundão, dando uma mãozinha, para colaborar com a memoria das emoções (juntamente com fotos e musicas) que se juntam, se aglutinam ao viajante.

Sou geólogo, viajo para conhecer o passado e o hoje da TERRA, consequentemente me encanto para além dessa ciência, tão desconhecida e miraculosa, com a natureza e sobre tudo com as mais variadas pessoas. Que num incrível e infinito mosaico de costumes, tradições, crenças, mentes, artes mostram-nos infinitas possibilidades de bem viver a nossa TERRA. Então, esse blablabá todo para falar que nesse espaço, convido-o a acompanhar-me e deparar-se com algumas passagens do que vejo e consigo mostrar para o papel e pras letras.

Afinal de contas a viagem só vale quando podemos juntar, guardar e continuar com as inspirações que ela nos proporciona.

Manuel guinée forestière abril 2012


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Sobre viver e construir.

Quando você é convidado para escrever alguma coisa que será publicada ou se tornará pública, é porque alguém acredita e espera que você tenha algo interessante para passar. E neste caso, não sendo um privilégio pessoal, acredito que todos sempre temos momentos que servem de inspiração para alguém, seja a menina pequena sorrindo no parque com a roupa cheia de barro, a letra da música que ficou gravada mesmo sem querer, o mar lento banhando a praia, ou o que você mesmo já sabe ainda melhor do que eu.

A inspiração, mesmo em um mundo cada dia mais competitivo e árido, está em toda parte e quem não as encontra, é porque precisa de uma visita urgente ao oculista de plantão. Oculista da alma. Preste atenção, encontre algo diferente e inspire-se. Ou encontre algo igual, surpreenda-se por nunca ter olhado pra isto deste novo jeito e inspire-se da mesma forma. Porque esta inspiração vai fazer seu dia um pouco melhor e quem sabe sua vida valer a pena ainda mais.

E pra deixar um exemplo bacana que a inspiração está por toda parte, este vídeo tem uma história muito cativante. Faz 45 anos que um indiano chamado Bunker Roy resolveu acreditar no ser humano, e achar que ele tem capacidade para fazer coisas da melhor forma, dentro da capacidade e maneira peculiar que cada um possui. Para mim, banho de inspiração.

http://www.ted.com/talks/lang/pt/bunker_roy.html

Mauricio Simões – Engenheiro, publicitário e escritor do livro “Por que deveria haver algum motivo?”


terça-feira, 3 de abril de 2012

Seja bem-vindo!


Este espaço é dedicado a todos aqueles que de alguma maneira compartilham conosco a “sua viagem”, seja ela feita de vivências ou imagens, pensamentos ou palavras.

Para ser um viajante é preciso muita coragem.
Coragem para viver o desconhecido, o maravilhoso e o não tão maravilhoso assim.
Seu e do outro.

Para começar este plano ambicioso, onde o “céu é o limite”, convidamos você a voar alto, através das imagens de Nehmzow, Cloud Collection.

Boa viagem!