quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Dumbariboró e o olhar pra baixo...


“...olhei para baixo para ver uma coisa que eu nunca mais veria na vida...”
                                                                                                                      Philippe Petit




No conforto do lar, pleno domingão, vendo um filme brilhante, genial, desafiador, inspirador...Man On Wire...sobre o célebre equilibrista francês Philippe Petit, que chocou o status quo norte-americano ao vagar sobre um cabo de aço entre as torres do WTC, fui transplantado, pela minha engenhosa máquina cerebral, aos rincões do Marrocos. Foi um dia em que olhei para baixo e vi coisas que nunca mais verei na vida, e que não imaginava ver.
Numa road trip saí de Marakesh, cruzei o Atlas, esplendido com seus pessegueiros em flor, na descida dos palmeirais do Vale do Draa, entre ruínas inacreditáveis, decidi desviar o roteiro pré-estabelecido que visava à borda do imenso deserto do Saara.
 
Peguei um afluente do Draa que vinha da sua margem esquerda, rumo à minúscula Nekob, havia ouvido rumores de belíssimas gravuras rupestres. Na chegada a Nekob, por ser um dos feriados sagrados do Grande Profeta, não arrumei um único guia. Solução: ligar o GPS (só para não se perder), e partir com o carro pelas estradinhas, mais ou menos na direção que me indicaram. Algumas horas vagando e tentando comunicação via mimica com alguns simpáticos nativos (com certeza foi uma cena peculiar, analfabetos na língua local tentando com mimicas perguntar sobre a existência de gravuras rupestres), avistei, num leito seco de rio uma bela laje de “basaltos” (não sei precisar ao certo sua composição mineralógica, mas trata-se de um rocha máfica, escura, um antigo derrame vulcânico). Saí correndo feito criança e quando chego na laje olho pra baixo e ...
                        talvez um proto catálogo de pilates           
                      sem dúvida um quadrúpide                                          
                                       um afresco bem ornado                                                                      
                 um afresco bem ornado        
                                                                                                                                                
     sem dúvida texturas de imiscibilidade  líquida  , quando o  liquido de uma composição se“desmistura “ do outro                                                              
                                   
                            seriam “estratificações” em derrames máficos (algo bastante raro na geologia)
 


Seja andando sobre um fio, seja um reles caminhar, simplesmente vagar e olhar para baixo podem ser bons alentos em momentos de crise.

 

Manuel Corrêa, ao pé da Serra do Curral, outubro 2012

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