terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ponto de vista


Quem já participou de alguma dinâmica de grupo, destas que temos aos montes principalmente para processos seletivos de empregos?

Posso estar enganado, mas a impressão que tenho é que nessas dinâmicas o que importa é impor seu ponto de vista, mais até do que ter um que seja correto, maduro e honesto. Você precisa mostrar pra todos que é capaz de convencer alguém, seja seu futuro chefe ou subordinado, mas eles precisam saber que você acredita em algo, mesmo sem você acreditar.

Muitas vezes na vida a gente se depara com momentos que tudo que vale é exatamente esta atitude de mostrar que você tem razão, embora muitas vezes, senão em todas elas, a razão seja circunstancial. Mas a gente defende esta necessidade de ter a última palavra, este ponto final, este não sei o que de racional insano, seja nos gritos do trânsito, seja na apresentação da escola, na cor da parede da fachada ou no prato escolhido no restaurante. E se, por acaso, desta vez não foi você quem definiu a escolha, nada como torcer para que o caminho escolhido dê errado, pra lhe fazer sentir o gosto do “eu estava certo” mais uma vez.

Nos horários políticos isto nunca esteve tão em moda. Se fulano do outro partido acha isso, eu só posso criticá-lo, afinal é a minha maneira melhor de conseguir seu voto. A ideia minha é a boa, mesmo não sendo boa, nem ideia. A minha história é melhor, o meu ponto de vista é a sua salvação.

As eleições estão aí e acredite, todos os políticos sabem bastante sobre o que você quer e precisa. Infelizmente, nos dias de hoje o convencimento não tem passado muito perto do correto, honesto e comunitário.

O ponto de vista deles não tem sido o meu. Mas neste caso, não sou eu quem dá a última palavra.

Maurício Simões vota há mais de 25 anos.


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