segunda-feira, 5 de novembro de 2012

DUMBARIBORÓ, La Pachamama segue sonriendo,ou melhor , haciendo sorrir…

Uma foto, mesmo longe de ser um primor da arte de retratar uma paisagem, permite-nos algumas considerações.
Há um texto do Monteiro Lobato que fala no sorriso geológico, de quem vê, olha e compreende. Pretendo através de uma foto deste lugar mágico, uma paisagem de estarrecer qualquer ser humano dotado de visão, mostrar como quase sempre o ser dotado de algum interesse geológico permanece apaixonado pela Pachamama (como o povo andino chama a mãe Terra).

Partamos do ponto focal desta foto…


 

… uma ilhota, rodeada por quilômetros de sal, ilha Incahuasi, Salar de Uyuni, em  meio  à planície do sal, das mais planas que se vê por ai; um altinho topográfico ressalta nesse depósito atual de sal, resquício de um mar que ficou aprisionado entre (e dentre) o surgimento (surgimento, seria o equivalente a crescimento em altura, para o analfabeto geológico, ou soerguimento no geologuês básico) da cadeia de montanhas, a cordilheira, Andina.
Basicamente é um retão do caramba para qualquer lado que se ande (60.000 km2 segundo o guía), uma superfície de no máximo 10m de sal duro, cristalizado, sobre uma grande profundidade de uma solução de água e muitos sais dissolvidos.
Usemos agora o aparato cerebral humano, associado à seu sistema de captação visual (vulgo, olho), aditivado de algum saber geológico. Debaixo de algum cacto cujo crescimento dura centenas à milhares de anos, umas camadas de calcários, que nada mais são do que corais (como esses que se desenvolvem em mares tropicais hoje  em dia) que cresceram sobre fragmentos de rochas vulcânicas. Ou seja, invertendo a descrição acima, havia um mar, depois na sua borda surgiram vulcões, desses vulcões rolaram muitos fragmentos de rocha para dentro desse mar, formando um alto topográfico, nesse alto , num momento em que o mar estava alguns metros acima do nível atual de sal, formaram-se corais. Com a continuidade da formação dos Andes o mar foi secando, o nível da água diminuindo e o salar se depositando (salar, no geologuês é chamado de evaporito, por ser resultado da evaporação de um corpo de água).
Dessa forma, uma simples mirada sobre um paisagem (uma não, duas ou três, pois utilizaremos um recurso muito comum à visão geológica, o zoom) pode nos transportar a diferentes estágios evolutivos dessa linda historia da Pachamama, que vive num tempo muito distinto daquele que nos habituamos a ver passar…



 
 
Manuel Correa, da região de Atacama, voltando do salar de Uyuni, lugar onde qualquer um se encanta com a Pachamama e sua geología…04.11.2012
 
 


 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário