terça-feira, 28 de agosto de 2012

Neil Armstrong

Neil Armstrong morreu. A julgar pela reação da imprensa mundial, e ao contrário da Brigitte Bardot cantada por Tom Zé, ele não havia envelhecido antes dos nossos sonhos - ou pelo menos os adultos de hoje foram criados em uma época em que mandar homens para o espaço, mesmo no contexto alucinado da Guerra Fria, era visto com grande fascinação, a maior demonstração do gênio humano.

Um palpiteiro disse que Neil Armstrong era um dos nomes mais reconhecidos no mundo, o que me pareceu certo exagero - pensei imediatamente em como se compararia a Pelé, Paul McCartney ou Nelson Mandela. Penso que já passou o tempo em que meninos, em resposta à tradicional pergunta “o que quer ser quando crescer?”, respondiam “astronauta”, sem pensar muito. A Guerra Fria acabou, viu-se que a ciência não tinha muito a ganhar com missões caras e arriscadas e a NASA foi forçada a se adaptar a tempos de vacas mais magras e cortar o orçamento. Para os nascidos nas últimas duas décadas, a referência mais direta ao homem na Lua provavelmente está em Buzz Lightyear, o astronauta da série Toy Story, cujo nome homenageia Buzz Aldrin, um dos companheiros de Armstrong na Apollo 11.

Outro palpiteiro, mais cético, disse que nos enganamos quanto ao heroísmo de Armstrong - ele só cumpriu com uma obrigação, como parte de sua carreira - era a pessoa certa na hora certa, nada muito além disso. Assim, não deveríamos admirá-lo mais do que admiramos o piloto de avião que faz um bom trabalho e aterrisa com segurança seus passageiros no destino escolhido, o engenheiro que entregou no prazo combinado um prédio sólido e funcional ou o cozinheiro que acerta o ponto do ovo com gema mole.

Racionalmente, não consigo discordar do argumento cético. Dentro de mim, porém, há uma criança que sonhou em ser astronauta, que desde sempre sabia o nome dos tripulantes da primeira missão tripulada a Lua, que folheou até gastar o volume da enciclopédia Barsa onde está o artigo que trata das missões espaciais. Há poucos anos, fui conhecer o fabuloso Museu do Ar e Espaço em Washington, D.C. Lá é possível tocar em um pedaço de solo lunar e observar bem de perto o Columbia, o módulo de comando da Apollo 11. Foi o que fiz, com Man on the Moon, do R.E.M., tocando nos fones de ouvido e chorando, emocionado e sem pensar em nada. Da mesma forma, senti um pequeno vazio quando li falando da morte de Neil Armstrong. Com ele morreu um pedaço pequeno de um sonho, talvez tonto e sem sentido, mas parte inseparável do que sou.


Luciano Sobral, trabalha como economista para financiar a humilde missão de conhecer o mundo.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Por que vale a pena esperar 4 anos


A cada 4 anos uma cidade é a escolhida como palco da maior confraternização esportiva do planeta. Mais de 10.000 dos melhores atletas do mundo se reúnem disputando medalhas no evento que é o sonho da maioria que já praticou algum esporte ou um jogo que seja. Durante duas semanas se formam histórias que relembraremos a cada nova edição, se constroem mitos, heróis, vilões. Enfim, se faz muita história.
A mera aproximação dos Jogos Olímpicos muda a rotina de muita gente. Sou apaixonado por esporte, um assíduo fã de algumas modalidades em especial, mas esse evento me transforma, mesmo que por apenas 2 semanas. É quando algumas modalidades esquecidas saem do estado de hibernação para virar manchete de jornal e assunto entre amigos, e o Pentatlo Moderno está aí que não me deixa mentir.
A vida é cruel, por mais esforçado que você seja, as pessoas querem ver os melhores. Todo o seu esforço e ser veloz é vil quando entra na pista o jamaicano Usain Bolt. É neles que fixam todos os olhos. Queremos saber quem são os mais rápidos, os mais fortes, os mais resistentes. Em suma, queremos saber quem é o melhor!
Porém, parece haver quase algo sobre-humano que nos distancia da capacidade atlética desses privilegiados. Você provavelmente não conhece quem possa fazer parecido. Mas nada mais humano que a falibilidade. Se a destreza atlética desses protagonistas nos distancia, é justamente seu lado humano, suas fraquezas emocionais e os dramas que nos aproximam.
Por mais fortes que sejam, dessa emoção tão humana compartilhamos, temos empatia, sofremos juntos, mesmo sem precisar sequer saber o idioma do atleta. O período pode até ser curto, mas é intenso. Às vezes bate uma preguiça quando você reconhece quando algumas equipes de TV querem apenas criar o novo herói, mas é inevitável, naturalmente eles vão aparecendo, principalmente quando temos competições e uma vontade enorme de competir e vencer todas juntas e misturadas.
Provavelmente uma das principais imagens desses Jogos fique na elegante esgrima. Por um desconcertante equívoco da equipe de cronometragem, a sul-coreana Shin Lam se viu no local da competição sem poder de lá sair após a derrota por um capricho da regra que diz que a saída sinalizaria sua desistência. E lá ela ficou aguardando sob choro o resultado do pedido de recurso para que não fosse eliminada na semifinal. Em vão. Por uma hora ela foi a protagonista da cena dos Jogos. E saiu injustamente derrotada. Nascia a primeira heroína dos Jogos de Londres


Os bons são maioria
Mas mais belas imagens estavam por vir. Na semifinal dos 400m, o jovem campeão mundial de Granada na juventude de seus 19 anos, Kirani James, após vencer sua série cumprimenta a todos e se dirige humildemente ao bi-amputado sul-africano Oscar Pistorious. Num gesto completamente incomum, ele inventa a troca de números de peito, para emoção de quem viu a cena.


Nessa mesma pista de atletismo, a barreirista Lolo Jones (EUA) consolou a jamaicana Brigitte Foster-Hylton que foi eliminada após tropeçar durante a prova de 100m com barreiras. O que pode haver de tão especial nessa cena? Talvez a maioria dos presentes não soubesse, mas nos Jogos de Pequim em 2008 a bela americana era a franca favorita ao ouro nessa prova e tropeçou em uma barreira na final a poucos metros da chegada que liderava com folga. Talvez ninguém melhor no mundo do que Jones naquele momento sabia o que a jamaicana precisava ouvir.


Por fim, quase que por capricho, a última prova do atletismo ainda parecia reservar mais brilho. Por um lado os jamaicanos encantam o mundo quebrando mais um recorde mundial por larguíssima margem. Longe deles, mas pertíssimo do pódio, a surpreendente equipe canadense de 4x100m comemora uma medalha inédita há 16 anos nessa prova. Porém, um cruel vacilo da arbitragem gera um drama enorme. A equipe canadense foi anunciada como bronze, mas momentos depois foram desclassificados por uma infração. Em instantes, 4 homens enormes como velocistas de classe mundial passaram da euforia desmedida a um choro copioso. Quem foi consolá-los? Os atletas de Trinidad e Tobago, justamente a equipe que herdou o bronze que já havia sido anunciado ao Canadá.


Não dá pra dizer com precisão o que faz dos Jogos Olímpicos algo tão atraente. A vontade dos que amam o evento é que ele durasse mais, muito mais. São 2 semanas pelas quais aguardamos por 4 anos. Talvez se fosse mais longo, perdesse parte da graça. Mas a cada recorde, a cada vitória dramática, a cada gesto e dramas tão humanos, fica a certeza que vale a pena, sim, esperar tanto.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Dumbariboró, Episodio III – Olhos de samabais e o olhar do viajante...


Foi nos pedido que desfocássemos um pouco das viagens, resolvi falar de um livro...
Oliver Sacks, em o Diário de Oaxaca, mostra em uma escrita sintética e fluente, o prazer de uma viagem de campo, em grupo. Muitas mentes (por essência diversas) observando os mesmos lugares, se deslocando juntas, comungando visões, ambientes, sistemas, ideias, desenhos, fotos, em suma, saberes.

Só quem já se propôs a uma viagem de campo (para pesquisar) sabe a delicia de se vagar no tempo e espaço, atuais e primordiais, conceito que está imbuído  na palavra excursão.

Esse livro trata de uma excursão de um grupo de botânicos (alguns amadores outros não) amantes das SAMAMBAIAS que rumam para o sudeste do México, afim de apreciar alguns indivíduos excêntricos e a enorme biodiversidade dessas lindas plantas presentes nos trópicos da américa central .

O relato de Sacks, um grande neurocientista, talvez, um dos médicos mais renomados no ramo que cuida de todas alterações, principalmente as químicas do nosso mágico aparato cerebral, é delicioso. Ele não se resume as inúmeras peculiaridades botânicas das samambaias. Ele percorre um lindo caminho por todas as simbioses químicas entre plantas, e essa espécie de hominídeo que lhes escreve. Todos os produtos e benefícios que a humanidade soube tirar dos sistemas naturais. Com certeza uma grande e inspiradora viagem, que mostra alguns caminhos do olhar, muito bons para quem gosta de perceber que “um passo a frente e não se está mais no mesmo lugar”.  Sem falar no ótimo incentivo para registrarmos em papel nossas impressões sobre os caminhares.

Manuel, das montanhas do quadrilátero ferrifero

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Do Morro ao Olimpo.


Pois bem. Entre suor e lágrimas, entre erros e acertos, esforço e desistência, atletas desfilam e competem em Londres. Os resultados métricos nunca são tão bons quanto poderiam ser, afinal é uma questão de estatística: há muito mais atletas competindo do que medalhas distribuídas.
Mas sobram outros resultados nem sempre lembrados: a satisfação do próprio competidor em fazer parte de uma elite de atletas, a valorização da auto-estima de um povo pelas vitórias de seus conterrâneos ou a possibilidade de auto-análise pelos fracassos cometidos, a possibilidade de exploração turística da região não só momentaneamente, mas para um futuro próximo, a possibilidade de melhorias em infra-estrutura do transporte à saúde, da comunicação à educação, e por aí vai.
O que me preocupa agora não é a posição no quadro de medalhas do Brasil. Sou brasileiro e torço sim. Bastante até. Sei o nome de quem ganhou medalhas e em que esportes. Sei quem perdeu, quem era favorito ou não. Mas o que me preocupa agora é perceber que neste próprio texto encontro a palavra “possibilidade” mais vezes do que gostaria.
A questão do atleta, do esforço, da técnica, do resultado, é só dele e da comissão técnica. Mas o que preocupa é saber que pouco está sendo feito dentro de tantas possibilidades de fazer um país e um povo melhores, mais educados, justos e desenvolvidos.
Não vai adiantar 6 meses antes da Copa do Mundo (que só faltam 2 anos e muita coisa sequer começou a ser feita) ou das Olimpíadas quer dar um tapa no aeroporto,  pintar o ginásio, aparar a grama das ruas e reforçar a segurança nas ruas. Tudo que é feito rápido e de improviso, vai rápido, se perde.
Eu não sei vocês, mas existe algum programa de incentivo nas escolas, para o desenvolvimento da prática de esportes? Infra-estrutura, quadras, piscinas, educação, inglês, hotelaria, aeroportos, estradas, transporte público?
O que me deixa triste, e preocupado, e perceber que a distância entre o Morro e o Olimpo continua como sempre foi.

Maurício Simões foi judoca, tenista e corredor, dedicado, mas não profissional.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Animais Olímpicos


O homem é o único animal que, dentro de uma gaiola metálica em forma de semicírculo, gira algumas vezes ao redor do próprio eixo e lança um disco de metal a mais de 70 metros. O único que se pendura em argolas a quase três metros do solo e faz manobras envolvendo enorme esforço muscular e concentração, o único que anda 50 quilômetros cuidando para não tirar os dois pés do chão ao mesmo tempo, o único que usa uma raquete para surrar uma peteca de penas de ganso (sempre as da asa esquerda, melhor preservadas porque consta que o animal sempre dorme em cima de seu lado direito). A cada quatro anos, outros animais deslocam-se para uma cidade com a intenção de assistir a seus companheiros animais competirem nessas e outras atividades de regras estritas e arbitrárias. Milhões de outros acompanham as competições pelos meios de comunicação, quase nunca indiferentes e frequentemente fascinados.

Os animais-espectadores, no geral, torcem pelos animais-competidores que falam suas mesmas línguas e pagam impostos para as mesmas causas comuns. Como mutações genéticas e migrações há milhares de anos moldaram as características físicas de cada grupo de animais é um dos fatores de importância para determinar a qual conjunto de regras os espécimes competidores se adaptam melhor. Outros são produtos de conquistas e migrações mais recentes, anos de investimento e treinamento, tecnologia, puro acaso.

A trajetória de alguns animais-competidores por vezes é tão excepcional que atrai as atenções e emoções dos animais-espectadores apesar de suas diferenças de linguagem e outras animosidades. Neles os animais-espectadores enxergam o triunfo de sua espécie, sua tenacidade, capacidade de adaptação e concentração, força e inteligência. Não raro, animais-espectadores vêem-se de olhos arregalados, olhando para um estranho aparelho emissor de luzes coloridas capaz de transformá-las em imagens de alta definição, chorando e vibrando com o desempenho de seus companheiros de espécie naquelas estranhas competições.

Aos animais vencedores cabem discos de metais raros pendurados por uma fita. Aos derrotados, algo entre o consolo de saber que estão entre os melhores exemplares de sua espécie e a frustração por terem sido superados por outros ainda melhores. Ambos, na maioria dos casos, ainda viverão por muitas décadas depois de passado o esplendor físico, terão muito tempo para serem louvados ou esquecidos, buscar conquistas em outros campos, contar suas histórias e com elas inspirar ou desestimular outros animais.

O homem é o único animal capaz de interpretar uma série de sinais gráficos emitidos por outros homens e transformá-los em ideias e emoções. O homem é o único animal capaz de articular ideias e emoções. O homem é um conjunto de impossibilidades, uma soma quase infinita de probabilidades muito baixas, o mistério mais impenetrável da natureza.

Luciano Sobral, trabalha como economista para financiar a humilde missão de conhecer o mundo.




quinta-feira, 26 de julho de 2012

Episódio III- da Arte de Mapear que vêm desde os tempos da pedra lascada


Pousar a vista sobre uma parede de rocha repleta de pinturas feitas há milhares de anos, tem sobre um ser humano, algo curioso, permite um devaneio.
Outro dia me detive a olhar um certo painel.

Painel pode ter sua definição em dicionários consagrados, mas para mim um painel  como outro qualquer, um outdoor, uma pintura, um site, nesse caso materiais não convencionais nos padrões artísticos de hoje; óleos, variados, uma verdadeira alquimia, sobre pedra. No caso arenitos lindos da Serra da Capivara. Motivos os mais variados, muitos personagens, muitos remontavam à ligações diretas (pelo menos muy mas directas que a grande maioria dos serres humanos tem hoje em dia) com as divindades, dezenas de outros são cenas repletas de movimento...pelo menos é o que transparecem aos meus olhos, cambalhotas, brincadeira de balançar a criança pegando em seus pês e mãos, pirâmides humanas, a incrível caça do tatu, nascimento e o Beijo.



                     
                        




Hoje o mundo se diz global, influencias múltiplas que se cruzam, sempre, à toda hora, mas basta ver muitas dessas culturas e em seus habitats, os tamanhos contrastes que existem são riquíssimos. Cada tipo, cada manifestação humana mais peculiar, porém quanto mais se vê as pessoas por ai, mas assustador é, como pode o ser humano ser tão distinto, tão múltiplo e mesmo assim continuar comungando muito, muito, muito mesmo.

Voltando às pinturas dos Primeiros homens, mais precisamente na exuberante caatinga, canto endêmico dessa “sudamérica”, de paisagens lindas e variadas, inesperadas. Trata-se de um acervo artístico, ali registrado, há milênios em rochas depositadas há milhões de anos, de valor histórico-artístico incalculável, pois são grutas e mais grutas que se entrelaçam por trilhas em meio a densa caatinga, nos paredões e cânions, belos salões bem ornamentados por grandes painéis, grandes “afrescos”, grafites. Como estilo artístico inegavelmente são os percursores de grandes artistas; de mestres do renascimento à pintores das ruas atuais.

Viajar para um lugar desses, transpor seu corpo e mente, e se deparar com a arte feita por um ser bípede, que lá já estava pensando, vivendo, vendo o movimento ao seu redor, se movimentando e ornamentando seus templos, mostra que há alguma coisa comum e inseparável à todos os seres humanos que já viveram: a capacidade de mover-se, ver e aprender e louvar seus símbolos.

Além da capacidade de errar, tem o ser humano, desde sempre, a capacidade de criar seus mapas. Ai vemos muitos desses mapas representados nas paredes da Serra da Capivara, muitas vezes duas dimensões usadas para representar infinitas outras. Para aquele que pretende acompanhar meus causos saiba que a linha de costura desse dumbariboró (saco sagrado que abriga a caderneta) são mapas, mapas, mapas e mais mapas, e a capacidade nossa de representar ínfimas e infinitas esferas da realidade em duas dimensões....a arte de mapear vem desde os tempos da pedra lascada, sigamos mapeando....

Por isso tudo, vale muito a pena uma viagem para nossa caatinga, Petrolina possui aeroporto com conexões à Salvador e Recife e esta a pouco mais de 200 km São Raimundo Nonato-PI por estradas, que dizem estar em boas condições. Além dos atrativos que tentei expor acima, existem muitas atrações que podem ser agregadas à uma viagem dessas ( a depender do interesse), vou cita-las sem me deter em atrativos e distancias: região vinícola e produtora de frutas no São Francisco, o lago de Sobradinho, a Chapada Diamantina mais a sudeste, a serra do Cariri e a Chapada do Araripe, fosseis incríveis e toda a cultura do cangaceiro, o berço do rei do baião Luiz Gonzaga. Para os mais animados em percorrer estradas na caatinga uma travessia até delta do Parnaiba passando pelos parques do Piauí...e por ai vai....
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terça-feira, 17 de julho de 2012

Somos iguais, parecidos, mas também bem diferentes.


O ser humano gosta de simplificar as coisas buscando explicação pra elas. A generalização não deixa de ser um pouco desse exercício, de poder entender o outro e o ambiente. Entre tantas coisas é esse ato de generalizar que torna o italiano extrovertido e barulhento, o japonês introvertido, o americano arrogante e nós brasileiros um povo alegre.

Nada como a experiência pra ver que essa regra é tola porque ela é falsa e faz ficarmos cego às pequenas coisas. Você chega a um país frio como a Suíça e sem pedir ajuda se vê acolhido como se estivesse na pequena cidade de interior de seus pais. Você chega à Argentina e conhece por lá muitos fãs do nosso futebol, como que se fosse um adversário reconhecendo méritos do outro lado.

A convivência é um exercício de tolerância. Os hábitos são tão diferentes que às vezes ter que conviver ali tão próximo a você é um exercício de paciência. Se sair da zona de conforto é algo que devemos praticar para sermos pessoas melhores, entender e aceitar como o outro se comporta também já nos faz melhor.

Fronteira não são necessariamente barreiras físicas, são limites imaginários que colocamos. Entretanto, se séculos fizeram com que povos tão próximos ficassem tão diferentes, por outro lado é animador que mais viagens tornem possível diminuir diferenças ao mesmo tempo em que possamos experimentar e presenciá-las in loco.

Viajar é sempre um prazer. Tímido, me obrigo a interagir onde estou. É meu exercício pessoal de sair da zona de conforto e tentar aproveitar mais uma viagem, porque acho que é nessa interação que você descobre muita coisa que milhões de fotos não poderiam fazer melhor. E é justamente quando você interage com pessoas no mesmo local, porém de culturas e hábitos tão distintos que você que o ser humano é um ser tão especial, que só uma tolice pra dizer que a nacionalidade determinaria como ele é.

Foi viajando que conheci japoneses italianos, americanos argentinos e africanos latinos. E esse convívio que graças à internet agora podemos manter tão mais facilmente, mostra pra você que somos tão diferentes, mas também tão parecidos. E isso não tem nada a ver com o local onde você nasceu, mas o que você busca quando sai de seu país atrás de experiências tão gostosas.

Danilo Balu, Administrador Esportivo